quarta-feira, agosto 24, 2005

As Férias

Faltam 6 dias para uma outra semana de descanso. A liberdade é total. Fazer girar o mundo e apontar ao calhas. Viajar para um novo planeta com o Amor da minha vida. Sou apenas mais uma.
Com este Amor que eu cá sei vou pegar no carro ideal e fazer o giro de Itália, vou pegar num cachimbo e ao colo do amor adormecer numa duna marroquina. O meu Amor vai fazer-me festas na cabeça e dizer-me coisas bonitas antes de seguirmos para um momento idílico em Lisboa. Na capital vai chover e fazer sol ao sabor das nossas conversas. Havemos de estar na praia a fixarmo-nos olhos nos olhos e a falar daquele conto do Pessoa em que o Fernando nos conta A Hora do Diabo. Depois voltamos ao beijo do costume e o tempo desse beijo dura para sempre.

terça-feira, agosto 09, 2005

Portugal a Chover


.... O mais triste é que o efeito do fumo tem a sua beleza. Agora o tempo está menos quente e os portugueses vão poder descansar um bocado...só não se podem distrair mais.

segunda-feira, agosto 08, 2005

A denúncia

Entre os prisioneiros das cadeias, o ladrão é aquele que revela pior carácter sobretudo se fôr um ladrão pidesco. A todos os ladrões, perdoai-lhes senhor que eles não sabem o que fazem.
Agora tudo ao trabalho para pagar as contas ao fim do mês. Boa tarde e Obrigada.

quinta-feira, agosto 04, 2005

AS NAMORADAS III

Passemos agora ao terceiro exercício de imaginação.
Dentro da banheira senhorial envoltos num banho de espuma como outro qualquer. Continuamos a olhar para o quadro impressionista com as duas namoradas. Estamos enlevados até que o enlevo é interrompido por uma notícia de última hora num canal de televisão. Caiu uma falésia em Peniche, há dois mortos e pessoas soterradas. Acordamos lentamente do adormecimento da pintura, lembramos os amigos de Peniche, temos um momento de preocupação, levantamo-nos bruscamente da banheira mas eis que surge de novo o quadro com as duas felizes namoradas entristecidas pelo tempo com uma terceira mulher que as observa atrás de uma árvore. Aproximamo-nos muito devagar da obra do desconhecido, observamos em pormenor o mármore da parede da casa de banho, voltamos a atirarmo-nos quase de cabeça para a água rosada da banheira e finalmente sentimos o Absoluto.

AS NAMORADAS II

Imginem agora o que seria estas duas namoradas estarem tristes de costas voltadas uma para a outra. O rosto delas seria feito de dor. De repente o quadro parece esmorecer e uma delas nem é tão bonita como parecia à primeira vista, ao primeiro relance do nosso olhar. A outra talvez esteja resplandecente mas apenas porque as lágrimas só lhe caem por dentro e a pele lhe foi poupada por um sorriso mentiroso.
Vendo o quadro com mais atenção reparamos numa terceira mulher. Imaginem três elementos femininos num só quadro mas não as imaginem nuas porque elas estão vestidas, Há um sentimento de aflição e de conforto, tudo ao mesmo tempo.Experimentem este exercicio de imaginação e terão um minuto de Amor mas cuidado que será de paixão se as imaginarmos sem roupa.

terça-feira, agosto 02, 2005

AS NAMORADAS

Imaginem um quadro impressionista com duas namoradas. Haverá alguma coisa mais bonita do que um quadro impressionista com duas namoradas...
Duas raparigas bonitas sob uma Impressão do Sol Nascente, duas mulheres ligeiramente enrugadas que mantêm os traços soberanos de quem ama e é amada.
Imaginem o prazer e a satisfação de possuir esse quadro e pendurá-lo na parede em frente de uma banheira senhorial. Não tentem imaginar possuir as próprias mulheres do quadro porque elas não querem ser possuídas, elas só se querem uma à outra. Se conseguirem este exercício de imaginação terão um minuto de puro Amor.

sexta-feira, julho 29, 2005

Anedota

Um pai para o filho:

Na tua idade Napoleão era o melhor aluno da sala de aula

Responde o filho:

E na tua idade já era Imperador.


Anedota recebida por SMS em plena Praia deserta

Prémio Revelação

Mas alguém já reparou que andam a formar-se "talibãs" nos suburbios de Portugal?
Alguém já reparou que a blogosfera está a ser usada como veículo para o desconcertante. Contra mim falo mas tento defender-me imediatamente: tudo o que escrevo sobre África são meras reportagens de uma jornalista com mais de dez anos de carreira. A tradição do Repórter X. Toda a gente o faz hoje em dia, toda a gente experimenta a liberdade da Internet. O óbvio é que há muito tempo que Ela (internet) foi descaracterizada. Todos nós contribuímos para isso...não foram só os jornalistas ou os tipos do Iraque ou os tipos de Londres ou os tipos do 11 de Março ou os tipos do nine eleven. Foram também os tipos do Meu Diário, aqueles que usam os blogs para falarem dos filhos e das mamãs e dos papás. Já todos escrevemos sobre isto. Chega.

Para mim a Internet é um espaço de Liberdade, Fraternidade, Igualdade, Democracia. É um hobby, é uma delícia, é um vício. Uma paixão. Bruscamente num Verão Passado aconteceu-me apaixonar-me por ela. Já fui uma addicted mas tratei-me. É bom que todos os que andam por aí a tentar manipular realidades percebam que não manipulam coisa nenhuma. A internet, se bem se lembram, é virtual, não existe. Nos Estados Unidos há quem diga que move resultados eleitorais. Para Mim e não há nada mais pessoal do que isto a blogosfera serve apenas para nos aliviarmos um bocadinho do stress quotidiano, aquele que verdadeiramente nos mata. Serve para resolver dentro de nós o que não conseguimos no Mundo.
Mobilizar através de um blog, de um site, de um chat, de um mail...milhares de pessoas para constituir uma "Irmandade", para apelar à revolta, para dizer que as únicas entrevistas concedidas a jornais são actos cometidos e para avisar que o terror ainda agora começou é, do meu ponto de vista, pura maldade.
Há duas estações de metro armadilhadas, há um autocarro mas há também a Speakers Conner num dos mais bonitos jardins britânicos. Lembrar mais uma vez que no Iraque isso é o pão nosso de cada dia. Perder um filho é tão custoso em Londres como em Bagdad.Porque raio subimos pelas paredes com um atentado num país que desde sempre nunca deixa sozinha uma mochila no chão porque sempre que deixou foi o que se viu.
Agora é a minha vez de manipular...como todos o fazem: Vamos voltar a estudar, tiremos um curso de História para perceber que sempre houve terrorismo no mundo. Não se pode combatê-lo, pode apenas tentar perceber-se quais são as suas causas.
Os alemães tentam a todo o custo dar o exemplo: sempre que se fala em Judeus eles ficam em silêncio. Porque será. Mais vale estarem caladinhos.
Serve este post para argumentar contra a eficácia blogosferica. Para mim não tem eficácia absolutamente nenhuma.É apenas uma fantasia. O meu próximo post é uma anedota.

terça-feira, julho 26, 2005

A Guiné

POLÍCIA!!!!!!!!!!!!!!!!

Foi esta palavra gritada que trouxe de volta a calma à Guiné-Bissau, acabada de sair da primeira volta das Eleições Presidenciais. Foi ela quem a disse, quem a gritou no meio de uma multidão que atirava tiros para o ar, que fugia ao gás lacrimogéneo lançado pelos agentes de autoridade. Dois mortos e seis feridos.


O meu avião aterrava precisamente nessa altura. Eu ía atrás dela. Queria finalmente entregar-me à Patrícia. Queria que ela me aceitasse para sempre como sua, sua, sua mulher.

A minha filha estava de férias com o pai. Não podia haver melhor altura para resolver esta minha questão avassaladora de fuzíveis cerebrais.
Há mais de dez anos que o meu coração suspira pela Patrícia. Como dizia Eurico o Presbitero, Sabeis Vós “o que são 10 anos”. Dez anos foi o tempo suficiente para me enlouquecer de Amor, de Raiva, de Ódio, de Alegria, de Prazer e de Dor quando o prazer era em demasia.

Agora, acabada de chegar da Guiné-Bissau, sei que amo a Patrícia até ao fim dos meus dias ainda que ela não volte a olhar-me na cara coisa que duvido.
Capítulo I
Para mim, Patrícia não passa da mulher mais bonita do mundo. Os olhos são enjoativamente pálidos de um azul piscina que me cansam, que me enfadam a imaginação.Não é por aí.
Não são os seus olhos, aquilo que todos os homens e mulheres nela cobiçam.
A minha mãe sempre teve uns olhos oceânicos, a minha família está cheia de azuis oculares e de toureiros. Chegou um dia da Alsácia Lorena, misturou-se com o Ribatejo e com a Guarda e veio dar a mim, uma mulher com uma cara limpa de olhos castanhos, nada por aí além, apenas inesquecível.
O que me apaixona imensa e eternamente na Patrícia é o seu envelhecimento, a sensação de que ficarei junto dela para sempre, até ela chegar a um ponto de fealdade insuportável.
Acabei de chegar de ao pé dela. Perdeu metade da juventude e da beleza que tinha:
-Acabou-se-te o reinado da beleza. Estás feia e no entanto nunca te amei como agora
-Apanha o blusão, respondeu-me.
Capítulo II
Estação das chuvas na Guiné. Por cada carga de água, eu e Patrícia discutiamos como duas Deusas no Olimpo. Iradas, quase que nos matámos. Depois, assim que chegava o sol abraçámo-nos. E foi nesses abraços que eu senti o raio dos quimicos a funcionarem. Oxitocina sempre. Sussurrámos palavras, eu senti arrepios pelo corpo todo e na cabeça. Só não sei se ela os sentiu. Perante mim o seu comportamento diz-me sempre não mas eu sinto sempre sim e que vulgar é permanecer nesta situação. Já toda a gente passou por isto e no entanto, passaram dez anos e ainda não me libertei. Porquê?
Capítulo III
Em síntese Patrícia nasceu em Lisboa, fugiu de um casamento imposto por um pai que na verdade nunca a reconheceu como filha. Chegou a ser empregada de limpeza e hoje é uma das jornalistas mais respeitadas do Portugal socratiano .
Nos Países Baixos evidenciou-se por condenar veementemente a opressão de que as mulheres muçulmanas são vítimas e por concordar com uma deputada africana que declarou que, "segundo os critérios actuais, o profeta Maomé seria considerado tirano e perverso”.
A descrição é forte mas, com certeza, demorou-lhe as passas do algarve até lhe assentar na perfeição.
Tem 34 anos. Um pai conhecido e uma mãe fantástica, uma terra natal que vem do Oeste.
O Negro do chocolate com leite, dentes brancos, cabelo cuidadosamente apanhado, nariz ocidental, um discreto brinco de pérola na orelha, apenas para os mais atentos. Dedos delgados e compridos, mãos de mulher com pé grande. Hoje tem a "cara que merece"
Para muitos devia limitar-se a um banco de piano de cauda mas, com todo o respeito e admiração que tenho por todos os que decifram e interpretam a Música, Patrícia esforçou-se muito mais do que isso. Obrigou-se a ser livre. A Guiné é o cenário actual mas antes passou pelo mundo inteiro. Aparentemente fugiu destes países, da sua religião e do seu marido mas acredito que Patrícia nunca fugiu a coisa nenhuma. Um dia um jovem jordano convertido ao Islão, “tocou-lhe no ombro”. “Voltei-me e vi um príncipe que me pareceu um belo rapaz sardento, por volta dos seus 24 anos, e que me disse: Minha senhora, quero-a para todo o sempre”. Patrícia “estendeu-lhe a mão e respondeu: Eu também mas agora não me dá jeito.”.
Obviamente não passa um segundo sem os “seus companheiros de infortúnio”, os guarda-costas. Poderia ter o estatuto de símbolo nacional, que a elevasse acima dos seus iguais, mas no dia a dia ela esvoaça numa prisão.
Capítulo IV
Patrícia libertou-se finalmente e atendeu o telefone...fez mais, foi ela própria quem me telefonou.
-O que é que queres?
-Dizer-te que lamento...
-O quê...
-Não faço a mais pequena ideia.
-OK
-OK?
-OK
Deligámos ao mesmíssimo tempo e encontrámo-nos logo e de imediato.
Capítulo V
E não é que fomos mesmo felizes para sempre? A sensação foi esta precisamente. A de sermos felizes, a de estarmos felizes. O momento atingiu os píncaros e que bem que se aprecia a vista do alto da felicidade e que bem que se afasta a morte e que se percebe, finally, o sentido da palavra imortal. Highlander. Lembram-se daquele filme dos Imortais com o Cristopher Lambert? Precisamente, mais uma vez. A sensação de que viveremos para sempre e de que havemos de sentar-nos numa esplanada a recordar os amores de dez mil anos.
Capítulo VI
A segunda volta das eleições decorreu sem problema maior. Não houve mortos. Ficaram apenas os feridos que foram tratando as suas dores com aspirinas naturais lá da terra de Bissau. O vencedor, o novo presidente é um antigo facínora arrependido que precisa de redimir-se aos olhos de Deus. Este assassino e mandante de mortes sonha todos os dias com Amílcar Cabral.São verdadeiros pesadelos. O Homem assassinado a mando de quem entra-lhe no sono como um furacão. Nino Vieira acorda sempre banhado em suor e durante todo o dia ouve frases soltas do Cabral, que lhe foram gritadas durante o sonho. Vieira só tem um minuto de calma por dia.Aquele em que recorda as minhas braçadas na piscina do Bissau Hotel, aquele em que recorda o som de uma Dunlop a bater no centro de uma Wilson, a minha raquete de Ténis.
Catarina Miranda

Prémio Elementar Meu Caro Watson

Mas alguém já reparou que as pessoas andam a Dar a Própria Vida? É que os gajos gostam mais de morrer do que nós de viver caraças.


Frase de Suasana Veiga a propósito dos atentados terroristas enquanto bebíamos um capuccino feito por ela e olhávamos a Ria Formosa.