quarta-feira, junho 08, 2005

Uma Canção para Violoncelo

Atenta bem no som das cordas do Violoncelo mas não deixes de ouvir a Guitarra Acústica e o Baixo. Se despertares ainda mais consegues ainda ouvir as Congas. Se fechares os olhos vês os meus lábios mexerem e ouves o que te vou dizer from the bottom of my heart.
A tua cara já me é tão estranha. A palidez e a sinceridade dos teus olhos estão a levar-me ao inferno do prazer. Percebes que agora me esqueci da tua beleza. Percebes que agora o que amo em ti é a tua velhice, o tom rabugento que sempre usaste para falar comigo. Percebes que agora quanto mais deformado se torna o teu corpo, quanto mais flácida e pendurada fica a carne do teu rosto, quanto mais as tuas costas se curvam, quanto pior te ficam as melhores calças de ganga, quanto mais de lado e com falta de paciência olhas para uma criança qualquer, quanto mais feia te tornas mais o meu Amor se torna desesperado. Quanto mais amarga e azeda, só comigo já percebi, mais certeza tenho que és a única.
Obviamente que me apaixonei por seres bela. Fiz o mesmo que todos os homens. Cometi os mesmos erros que tu nunca lhes perdoaste: perderem a cabeça por ti. Eu cabeça já não tenho mas não a perdi por ti, apenas porque me apeteceu. Nunca me perdoas estes vacilos de carácter mas também eu sou implacável com os teus e tu erras por toda a parte e eu perdoo-te sempre e como raio se escreve esta palavra perdoar na primeira pessoa?
É verdade que já te dei dez voltas à cabeça e o que parecia um abandono da tua parte era apenas um agora não...ainda não.
Mas esquece tudo o que nos cansa e descansa. Não tenhas medo de nada, You have nothing to fear porque os sonhos que tiveste em criança estão prestes a realizarem-se. Pareces sempre tão frágil quando faz muito frio durante a noite. Sabes que te vou levar à porta de tua casa. Foi sempre assim e assim será por mil anos e mais que sejam. A tua felicidade não depende de mim mas a tua infelicidade já percebi que sim. Não, não te deixo. Não te abandono nos piores momentos. Foi apenas aparência. Precisava de respirar, recuperar o fôlego de ti e tu de mim. Mil graus à sombra é demasiado. Agora chega de termos penas de nós próprias. Vamos ser felizes se é realmente o que queremos.
Já enviei a carta. Sei que ainda não a recebeste mas também sei que disseste que estava quase a chegar. Como é que tu sabes a vontade dos CTT ? Parva, és a Minha Parva.
Volta a fechar os olhos e vê apenas a forma do violoncelo. E haverá alguma caixa de maior ressonância do que esta. ...o meu corpo ainda mais do que o teu, acredita.
Patrícia

1 Comments:

Anonymous ahnnnn? said...

ahnnnnnnnnnnnnn?

6/13/2005 4:10 da tarde  

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